
Talvez em poucos momentos da história recente da humanidade, a percepção da solidão se fez tão presente como durante a pandemia causada pelo novo coronavírus. O confinamento levou as pessoas a se afastarem das outras e a mergulharem em si mesmas em diálogos nem sempre fáceis ou agradáveis.
Fausto Rodrigues, de Americana, SP, na aquarela sobre cartão “Dias de Solidão: Isolamento da Alma”, apresenta uma imagem que transmite o clima de agonia e de depressão que dominou muitas pessoas durante o período da quarentena. O corpo recolhido, escondendo o rosto, aponta justamente para esse sofrimento.
Estar separado dos outros pela necessidade de manter a própria saúde e a alheia trouxe uma consciência maior da própria finitude, além de um questionamento sobre a existência. A busca pelo sentido de viver e a necessidade de rever planos foram exercícios mentais para os quais não houve uma preparação. Em poucos dias, a vida de todos se transformou.
Corpos e almas isoladas de si mesmo, do ambiente urbano e da natureza como um todo trazem a consciência da dor de viver. Cada dia isolado foi, para muitos, uma dura vivência da solidão. Encontrar-se foi uma tarefa árdua. A esperança é que a experiência passada, assim como a imagem pungente de Fausto Rodrigues, nos torne mais fortes.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br