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Arte em tempo de coronavírus (483)

Arte em tempo de coronavírus (483)
17/07/2020

Perante o novo coronavírus e a COVID-19, as leituras de cada criador visual são as mais variadas possíveis. As dores e potencialidades deste momento são imensas e podem ser associadas a muita coisa, dependendo inclusive do referencial e das convicções pré-pandemia de cada um.

Regina Mendes escolheu trabalhar coma simbologia do cisne, mais especificamente, do cisne negro. Tanto essa ave como a sua cor permitem adensar ideias pelo mergulho em um amplo universo filosófico e existencial que conduz a uma caminhada pelos múltiplos sentidos deste momento presente e do futuro que estamos a construir.

Inicialmente, existe a oposição entre o cisne branco, associado à pureza e à luz, e o negro, vinculado ao oculto e ao misterioso. A partir daí, há o conceito criado pelo filósofo Nassim Taleb que chama de “cisne negro” um evento muito raro que gera uma enorme crise que causa violento impacto, obrigando a uma reflexão, como os Atentados de 11 de setembro.

A complexidade das simbologias se amplia na visão da ave dentro de uma imagem que remete ao microrganismo, além de um movimento e cores relacionadas à transformação, no sentido de que este momento pode conduzir a uma renovação da humanidade, principalmente para os que sabem lidar melhor com aquilo que é imprevisível, como a presente pandemia.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br