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Arte em tempo de coronavírus (476)

Arte em tempo de coronavírus (476)
14/07/2020

Lidar com a tridimensionalidade do espaço é um desafio que oferece múltiplas possibilidades. Ao trabalhar um tema complexo como a presente pandemia, a ceramista Adri Lang mergulha em uma jornada escultórica que reúne diversos elementos que se articulam de variadas formas, dependendo de como possa ser a nossa leitura da peça.

A presença de uma mão segurando um elemento que evoca um coração, mas que também pode aludir ao planeta Terra, culmina com a presença, na extremidade, de um conjunto de formas retorcidas que dialogam tanto com raízes ou galhos como com veias ou artérias. Próximo à peça, temos ainda a modelagem de algumas folhas soltas.

O conjunto permite uma jornada interpretativa em que diversas alusões sugeridas pelo trabalho da artista se complementam. A principal talvez esteja nas características orgânicas da peça como um todo, que se cristaliza nos detalhes das folhas, um ícone tradicional da passagem das estações do tempo.

Cada um dos outros aspectos trabalhados por Adri Lang apresenta ambiguidades muito ricas, pois as mesmas mãos que matam podem salvar; e o coração/pulmão/planeta que palpita determina vidas e mortes com seu movimento/paralisia. São as veias/galhos que apontam para a continuidade desse fluxo, tendo a sua vida continuada ou interrompida. Quanto mistério...

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br