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Arte em tempo de coronavírus (467)

Arte em tempo de coronavírus (467)
12/07/2020

O mundo ganhou novos aspectos durante a pandemia. Um deles é o sentimento de solidão com as cidades vazias. Em alguns cenários, essa atmosfera é ainda mais surpreendente. É o caso de uma praia ensolarada sem gente. Isso faz com que se pense mais, em termos visuais e simbólicos, nas representações do espaço.

A obra de Elyethe Marinho traz justamente uma atmosfera de solidão, em um cenário idílico e de cores rebaixadas, que permite ver inclusive o esplendor da natureza, muitas vezes até esquecido com a presença de seres humanos aglomerados, algo a ser evitado no cenário de pandemia.

Um elemento essencial é a igreja no topo da coluna. A obra então acaba por articular a solidão do cenário, a fé e a natureza. Esteticamente, o resultado é de harmonia e de equilíbrio. Com a progressiva flexibilização, a questão que surge é se o ambiente, com o retorno da presença humana, consegue ser mantido aprazível e se as pessoas podem se manter saudáveis.

O trabalho da artista gera, portanto, numerosas indagações sobre um futuro em que deve ser instaurada uma nova normalidade sobre a qual ainda se sabe muito pouco. O ideal é que, neste mundo distinto que se configura, a harmonia entre os seres humanos – e destes com o meio ambiente – de fato se realize.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br