
Quando se lê o título “O exterminador”, de Lucas de Pontes, obra em andamento que tematiza a pandemia causada pela COVID-19, duas possibilidades de interpretação se tonam possíveis. Pode estar representado o novo coronavírus, com seu letal poder, ou os profissionais de saúde, que estão agindo no combate do mal.
O branco, que alude aos jalecos dos médicos, logo tira essa dúvida. Combinada com tonalidades de amarelo e azul, a cor da paz surge de diversas maneiras, dentro da proposta de proposta visual de quebra de perspectiva do artista. De fato, uma das funções das manifestações plásticas pode ser considerada o poder de oferecer novos aspectos do mundo.
As mãos que curam também aparecem e, nas mais diversas mitologias, geralmente existe esse vínculo entre a presença daquele que salva vidas e um poder que pode provir da própria natureza ou, mais modernamente, da ciência. O principal ensinamento nesse sentido é conservar a convicção de que manter-se saudável ou curar-se precisa ser considerado possível.
A composição das imagens e a maneira de trabalhar as cores e tonalidades são alertas de como a arte pode interpretar e conceber o mundo das maneiras mais amplas e imagináveis. A representação visual de Lucas de Pontes, nesse sentido, traz a importante informação de que médicos e artistas comungam do mesmo papel de tornar o mundo melhor hoje e sempre.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br