
O isolamento social é uma das marcas do novo mundo que se instaurou com a COVID-19. Rotinas cotidianas, como ir ao trabalho, ou simples passeios, como uma caminhada, passaram a ser riscos para a saúde, e a solução encontrada foi a de ficar em casa para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.
A escultura em resina e alumínio “Confinamento”, de Adina Worcman, de São Paulo, SP, é uma expressão visual desse momento. A obra permite variadas leituras, mas algumas delas ganham destaque. Pode-se pensar nas estruturas propostas pela artista como formas de emparedamento.
Mas também os pontos coloridos podem ser as pessoas isoladas, distantes entre si para não serem contaminadas. A verticalidade também remete aos edifícios e comunidades em que os cidadãos se trancaram como formas de proteção. Enfim, a ideia de isolamento é sugerida de diversas maneiras.
O trabalho traz a reflexão sobre a necessidade de se proteger mesmo com a flexibilização. Todo cuidado com higiene e uso de máscara deve ser redobrado para que novas paredes não se tornem barreiras verticais a separar uns dos outros. Espera-se que, com a descoberta da vacina, esses muros possam ser derrubados rumo a uma convivência maior e melhor.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br