
A máscara é um ícone deste período de pandemia – e tende a continuar a ser até que haja a descoberta de uma vacina contra a COVID-19. É interessante observar como essa forma de proteção foi se ampliando e ganhando aspectos que poucos poderiam imaginar no começo do nosso contato com o novo coronavírus.
A fotografia “Máscara”, de Fausto Rodrigues, de Americana, SP, traz essas e outras reflexões, pois consegue apresentar um objeto de uma nova maneira. De um equipamento médico passou a ser um suporte artístico, sendo inclusive utilizada para divulgar as mais variadas mensagens.
Tornou-se uma espécie de cartaz para expressar desde a preferência por um time de futebol a posicionamentos políticos ou expressões artísticas, com desenhos geométricos, abstrações ou palavras associadas a valores de amor e de fé. O próprio ato de decidir cobrir o rosto, antes de se tornar obrigatório em algumas cidades, ganhou uma conotação política.
Cada máscara, como ilumina a imagem de Fausto Rodrigues, é hoje uma forma de expressão. Cada detalhe pode ganhar ressignificações, tonando-se um veículo de metáforas, comunicados e comunicações. Ao observar atentamente a imagem, mergulha-se no reino das possibilidades. Palavras e manifestações alertam que usar máscara é estar física e mentalmente vivo.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br