
A dura batalha entre o novo coronavírus e a medicina é evidente. As suas representações visuais são as mais variadas, mas tendem a mostrar as dificuldades dos profissionais da área de saúde para lidar com o grande desafio de enfrentar um adversário invisível e desconhecido que se disseminou pelo mundo.
Lídia Leite, na sua interpretação, dá um ar medieval a esse enfrentamento. O médico aparece cerado pelo perigo e conta como única defesa com um escudo branco com uma cruz vermelha, que acaba ganhando uma dupla conotação, tanto como pelo símbolo da saúde como também da fé.
O fundo azulado e os pés sobre uma espécie de pântano auxiliam a transmitir essa ideia de um embate épico. O formato do escudo remete justamente aos cavaleiros em suas aventuras para superar rivais, salvar donzelas e combater dragões. Toda essa mística acaba por cercar os médicos de hoje.
Embora os profissionais da saúde possam ser vistos como heróis; não se pode esquecer que são pessoas com sofrimentos, dilemas e agonias. Manter-se na linha de frente traz um imenso desgaste. O cuidado com a própria saúde para não contagiar as famílias gera consequências psicológicas presentes e futuras. A obra de Lídia Leite nos alerta sobre tudo isso.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br