
As manifestações artísticas podem criar momentos mágicos. Um deles está nesta obra que Ruy Relbquy nos oferta. Trata-se de um presente visual porque lida com diversos elementos plenos de simbolismo que se articulam numa harmoniosa composição plástica, em que os tons azulados predominam.
A lua já é uma indução para uma penetração no céu da noite e nas esferas do inconsciente e do imaginário. É nesse espaço que a cena se realiza com toda a sua intensidade. Logo abaixo, estão as montanhas, cujas linhas são a preparação para uma região mais calma, a de um braço de água a nos tranquilizar.
A mulher que surge nessa sequência, regida por uma horizontalidade de cima para baixo, aparece tocando um violão e com os olhos fechados, indicando o poder da música de também induzir para caminhadas internas pela nossa mente, em uma espécie de profundo mergulho pelas nossas vontades e desejos.
O jarro de flores alude á cornucópia, que, na mitologia grega, era um vaso em forma de chifre com frutas e flores extravasando como símbolo de fertilidade, riqueza e abundância. No presente caso, a imagem nos traz a multiplicidade da capacidade de imaginar, podendo ser interpretada como um portal para um lírico universo onírico.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br