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Arte em tempo de coronavírus (458)

Arte em tempo de coronavírus (458)
10/07/2020

As maravilhas da arte são tantas... Uma delas é permitir o diálogo entre os artistas e deles com a sociedade. Quando conversam plasticamente entre si, vão se redescobrindo enquanto criadores e seres humanos. É o que ocorre no trabalho "O artista atrás da máscara e do bigode - para Arivânio", em que Marinilda Boulay homenageia seu colega de ofício.

Ele já a havia representado praticando yoga já em plena pandemia. Na presente obra Marinilda mostra, além do artista pintando, de máscara, a esposa dele e uma parente. Na parte superior, temos a casa de Arivânio, com as paredes pintadas por ele mesmo. Natural de Quixelô, CE, o artista está ligado à Festa dos Caretas, em que as pessoas cobrem o rosto.

É esse universo de máscaras, como celebração e como proteção, que Marinilda, radicada em Socorro, SP, apresenta. Arivânio surge na tela pintando “Igreja verdadeira", obra apresentada na BÏnaif 2019, na qual Marinilda, uma das organizadoras do evento, acrescenta um médico com as vestes utilizadas para enfrentar a peste negra, que abalou o continente europeu.

E a obra ainda tem um cãozinho branco, que remete a uma obra de Arivânio, exposta na primeira Bïnaif, em 2017. E a mulher que está na telinha que o artista pinta? Como não lembrar da célebre obra “A cigana adormecida”, de Henri Rousseau, considerado um dos pais dos naifs? Quantos diálogos múltiplos e proveitosos!

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br