
Quando se pensa na palavra “casulo”, logo vem à mente o envoltório de seda construído pelas larvas de borboletas, dentro do qual passam o período de pupa ou ainda o local em que as aranhas abrigam seus ovos. O casulo é um local seguro em que o inseto ou o aracnídeo consegue se desenvolver para depois sair transformado.
Essa imagem vem sendo muito utilizada na presente pandemia como uma metáfora das transformações interiores que estamos a passar antes da possibilidade de construção de um novo mundo, no qual se espera um ser humano mais humilde e solidário para enfrentar uma realidade pós-pandemia com novos desafios.
Nesse contexto, a pintura realizada com tinta acrílica sobre tela intitulada ‘Casulo Seguro”, de Luciane Lima, de Ribeirão Preto, SP, parece mostrar uma serpente. Isso recorda uma maneira de defesa de algumas espécies de lagartas contra predadores. Durante a fase da metamorfose, por exemplo, o casulo da lagarta Dynastor darius se parece muito com uma cobra.
No caso da Hemeroplanes triptolemus, a própria lagarta parece ser uma cobra. Nos dois casos, sair com segurança do casulo, como aponta Luciane Lima, significa abrir perspectivas para caminhos diferentes dos anteriores. Romper o abrigo demanda ter a coragem e a disposição até de, para se defender, fingir ser mais do que se é para enfrentar o mundo que se configura.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br