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Arte em tempo de coronavírus (447)

Arte em tempo de coronavírus (447)
08/07/2020

A arte têxtil é um universo à parte. Isso não significa que seja melhor ou pior. Quer dizer que apresenta as suas especificidades. Uma delas é que enfrenta um certo preconceito das artes chamadas mais clássicas ou tradicionais, vinculadas ao desenho, à pintura, à escultura ou a manifestações que não são confundidas com o artesanato.

É significativo verificar como ainda existe resistência ou falta de entendimento que o ato de bordar ou costurar, utilizado diversos tipos de tecidos, fios, linhas e retalhos, constitui, acima de tudo, um ato simbólico de reconstrução da vida. Cada movimento das mãos é, em primeira instância, uma dinâmica de fazer a trajetória da própria existência e da coletividade.

Em época de pandemia, quando surge o trabalho “Podemos dar as mãos”, de Ana Maria Reis, de Sorocaba, SP, o significado está muito além daquilo que se vê. Convém pensar naquilo que a imagem representa e o que ela expressa em termos de união entre as pessoas e de formas de trabalho artístico.

Uma das características da artista é justamente realizar obras em que diversas vertentes artísticas interagem, incluindo a fotografia, a pintura e a escultura. Além disso, as mãos também podem ser dadas em gesto de solidariedade, algo que este mundo de pandemia e o que vem depois vão precisar – e muito.

Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br