
Como ficam os relacionamentos afetivos em tempos de pandemia? Com o isolamento social e a recomendação de ficar em casa, um dos principais vínculos com o mundo passou a ser a janela. É através dela que a realidade começa a ser vista e interpretada. A necessidade de sair é, de certa maneira, sublimada em cada olhar.
A artista Vera Marina Barata Ribeiro coloca essa realidade de uma maneira muito delicada, repleta de lirismo, inclusive com a presença de animais de estimação. É curioso verificar como a realidade da casa, em que parece predominar o equilíbrio e a harmonia, se torna uma espécie de porto seguro no momento em que sair à rua é uma ação marcada pelo medo.
Os diversos elementos que aparecem nas obras se complementam. Isso vale para a vegetação das laterais, o enfeite de flores embaixo da janela e a presença de obras de arte na parede de fundo das duas casas. Dessa maneira, proximidades e afastamento podem ser relativizados. A possibilidade de integração e convivência permanece.
As distâncias ganham, na obra, uma nova dimensão para discussão. Os físicos ficaram distantes perante a COVID-19, mas as mentes e pensamentos parecem que se aproximaram de uma maneira difícil de imaginar em um primeiro momento. Como mostra a pintura de Vera Marina Barata Ribeiro, as ausências podem, por incrível que pareça, aproximar.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br