
A pandemia trouxe a necessidade do isolamento social, com as pessoas ficando enclausuradas em casa apenas com contato com os integrantes da família mais próxima. Trata-se de uma situação inesperada causada por um inimigo invisível que nos ronda. Nesse contexto, a casa passa ser o local aparentemente sadio, em que o mal não consegue chegar.
No entanto, a casa em época de COVID-19, embora seja um local agradável, como mostram as flores no vaso e no abajur, sofre do mal da repetição. Todos os dias parecem ser iguais e as rotinas tornam-se uma ameaça para a saúde mental. O quadro de Joilson Pontes consegue mostrar justamente esse tédio.
A família representada está toda estática. O pai lê o jornal, a mãe está com uma criança no colo e o irmão mais velho observa a situação passivamente. Os brinquedos estão jogados sobre o tapete e até o cão está usando a máscara, assim como um ursinho de pelúcia. O medo domina a cena, embora o novo coronavírus aparentemente esteja distante.
A harmonia das cores utilizada pelo artista auxilia a estabelecer uma atmosfera equilibrada. Todavia, há muita dificuldade no mundo externo; e o mundo interno não pode ficar alienado. O ambiente que poderia ser repleto de ânimo e disposição está marcado pelo susto. A esperança de dias melhores, porém, sempre precisa permanecer.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br