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Arte em tempo de coronavírus (442)

Arte em tempo de coronavírus (442)
07/07/2020

As lágrimas da figura que encabeça a pintura “Vidas indígenas importam“, de Silvia Maia, nascida em Recife, PE, e radicada em Embu das Artes, SP, é o ponto de entrada para uma pintura que carrega em si mesma toda a dor de uma cultura que enfrenta, devido à pandemia causada pelo novo coronavírus, mais uma séria ameaça à sua existência.

A multiplicidade de imagens que se espalham pela obra, realizada com tinta acrílica sobre tela, dialoga entre si. Temos no trabalho elementos da natureza, como diversos animais e vegetação, e representações de festividades e rituais. A comunhão entre as ações é que dá força ao conjunto do trabalho visual da artista.

A posição física de concentração da imagem que chora encontra sua expressão mais pungente no índio que está sobre a rede. A relação vertical entre esses dois elementos, intermediada por uma figura maternal com uma criança no colo, aponta a dicotomia entre a esperança de vida e a presença da morte.

Um elemento essencial da pintura de Silvia Maia está na conversa entre a cultura ocidental e a indígena, pois a presença de cruzes – assim como a imagem do esqueleto segurando uma foice com capuz negro – próximas a um pajé e ao uso de ervas medicinais nos lembra que, seja qual for a origem de um ser humano, toda vida sempre importa e precisa ser preservada.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br