
Imagens são representações. Podem ser próximas do real, estar além ou aquém dele, mas são sempre interpretações. Quando Ge Guevara realiza, por exemplo, um trabalho como “Plenitude”, induz a uma reflexão sobre o próprio sentido da palavra e a sua relação com aquilo que vemos.
Cabe lembrar que o vocábulo “plenitude” vem do latim “plenitudo”, que significa aquilo que é total, inteiro ou completo. Estar pleno, portanto, está relacionado aos conceitos de integridade e completude. Nesse sentido, o quadro que ela apresenta pode ser lido justamente como um ser que se realiza em sua felicidade, consciente de si mesma.
Ao fundo, temos um tom azulado com flores. A protagonista, com seu cabelo, rosto, lábios vermelhos e brincos exala a felicidade do existir, reforçada pela cor amarela da blusa, que reporta novamente às flores do fundo. Fica estabelecida assim uma atmosfera de harmonia com a qual convivemos visualmente.
Ser pleno é uma condição humana, uma capacidade de usufruir o próprio vigor, realizando ou desenvolvendo as potencialidades. Acima de tudo, é um exercício da magnitude de existir que conduz a uma grandiosidade da alma que permite a integração com a vastidão do universo. É essa a alegria que a imagem de Ge Guevara inspira.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br