
Quando se busca conceituações da palavra prece, aparecem diversos significados. Todos eles giram em volta da ideia de que se trata de um ato de adoração. Acredita-se que, por meio da prece, seja possível tanto louvar uma divindade, pedir uma graça ou fazer um agradecimento.
O gesto das mãos conjuntas caminha simbolicamente nessas direções.
A escultura em cedro de J. Gama intitulada “Fé em tempos de dificuldade planetária” aponta justamente para essas veredas relacionadas ao ato de unir as mãos. Trata-se, em última análise, de um ato de comunicação que se dá, no mínimo, em três dimensões. Existe o diálogo consigo mesmo, com o outro ser humano e com forças superiores.
Se considerarmos a fé como uma manifestação de confiança, a prece é a maneira como se conserva esse elo. É, talvez, um dos atos de conversa mais importantes que existe, pois, seja qual for a forma e a crença, está baseada na convicção de que podemos caminhar em comunhão em busca de bens maiores.
Neste momento de “dificuldade planetária”, a fé – e cada um tem a sua – caminha ainda mais próxima da arte. A escultura de J. Gama nos alerta para isso. As mãos unidas em direção ao alto podem ser o sinal de que necessitamos todos estar unidos para esperar e construir os dias melhores que podem vir.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br