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Arte em tempo de coronavírus (421)

Arte em tempo de coronavírus (421)
03/07/2020

O atual cenário da pandemia causada pela COVID-19 escancarou algumas questões sociais sobre as quais há muito tempo existia a necessidade de um pensamento mais geral da sociedade. Recentes pesquisas, por exemplo, vêm apontando um maior número de casos entre as pessoas de maior vulnerabilidade.

Inicialmente prevalentes nos centros urbanos e nas pessoas de alta renda que tinham maior contato com outros países, principalmente a Europa, os casos passaram a se tornar estatisticamente mais presentes nas periferias das grandes cidades e nas classes sociais mais baixas, onde o número de pardos e pretos é maior.

A obra “Dedo de branco, osso de preto”, de Luciano Luz, nascido em Caçapava do Sul, RS, alerta para perguntas de fundo voltadas para os limites entre a morte e a vida. Com osso, linha, tinta e um dedo de gesso construiu a sua cruz, que funciona como um alerta para indagações que envolvem a composição social e as desigualdades nacionais.

Os materiais escolhidos revelam um trabalho visceral, que se dá nos interstícios do que está aparente e do que é essencial. Podemos ver o dedo, mas, por baixo dele, está o osso. Essa jornada é a mais importante, pois osso e dedo estão irmanados pelas linhas da vida. Precisam um do outro para existir. O essencial e que essa existência seja cada vez de maior qualidade.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br