
O que significa viver? E qual é o sentido dessa pergunta em um momento em que a pandemia causada pela COVID-19 vem se apresentando de diversas maneiras entre as famílias brasileiras, seja na forma da COVID-19 propriamente dita ou das suas consequências econômicas ou sociais.
A linoleogravura “Viver é Raro”, de Marcela Lopes, de João Pessoa, PB, traz a sua resposta de uma maneira muito simbólica. O trabalho reúne diversos elementos que permeiam as reflexões sobre o significado da própria existência em suas mais diversas manifestações. Alguns deles se destacam na composição realizada pela artista.
O cacto e o sol surgem com força expressiva em uma imagem que evoca o Movimento Armorial, iniciativa artística idealizada por Ariano Suassuna que tinha como principal objetivo a valorização da cultura popular do Nordeste brasileiro. Para isso, um dos caminhos seria trabalhar com insígnias, brasões, estandartes e bandeiras.
Marcela Lopes, nesse contexto, apresenta elos entre a erudita arte heráldica, desenvolvida na Europa no século XVII, e todo um imaginário nordestino, que tem, entre seus pilares, a literatura de cordel e as xilogravuras que ilustram as suas capas. Pelo seu valor intrínseco e por trazer essas referências, a obra de Marcela Lopes nos faz revisitar o significado da vida.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br