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Arte em tempo de coronavírus (418)

Arte em tempo de coronavírus (418)
02/07/2020

A percepção do isolamento social varia de pessoa para pessoa. Para alguns, é um momento de contato consigo mesmo, o que tem suas facetas positivas e negativas, como tudo na vida. Para outros, resulta em uma experiência de dor psicológica e de sofrimento. Afinal, uma situação é querer estar sozinho; outra, ser compelido a isso por razões de saúde individual e coletiva.

intitulada “Confinado”, a obra feita com linoleogravura e estêncil de Lina Ganem, de João Pessoa, PB, expressa justamente a sensação de sufoco perante um inimigo invisível e pouco conhecido com uma capacidade de disseminação ampla e perigosa. A imagem da mão buscando o pescoço da figura central transmite esse sentimento de estar constantemente ameaçado.

Um elemento que contribui para a dramaticidade da imagem está nos olhos que surgem do lado de fora das janelas. A atmosfera reproduz a tradição das gravuras expressionistas em que o olhar funciona como uma maneira clássica de transmitir emoções e estados de espírito perante as mais diversas situações existenciais.

O conjunto do trabalho é eloquente, porque a percepção que temos é que o nosso cérebro também pode ser um espaço do confinamento. A arte é uma das maneiras de libertação, para que nossa mente, nossa garganta, nosso coração e nossa alma não se sintam prisioneiras. A obra de Lina Ganem dá a sua contribuição nesse sentido.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br