
Iranildes Bufalo, em “Esperança de um novo amanhã”, trabalho que consiste em uma placa de cerâmica com baixo relevo, pintada com pigmento natural sem cosedura tanto da pasta como da sua pigmentação, apoiada em um pé em madeira, traz uma imagem que expressa percepções do confinamento.
A ideia de uma pessoa abrindo a janela para descortinar o nascer do sol, entendendo este como o começar de uma jornada em que possa se retomar ao menos parte da vida considerada normal antes da pandemia, vem funcionando simbolicamente como um alimento psicológico nestes temos difíceis.
A artista, dessa maneira, consegue lidar com o imaginário coletivo daqueles que entenderam que ficar em casa é mais seguro, mas que vivenciar as manifestações mentais desse confinamento inclui dificuldades para dormir, pesadelos, sentimento de tristeza e mesmo de depressão.
O amanhecer que se descortina é a motivação que leva cada um a prosseguir. Torna-se uma metáfora da consciência individual de que é preciso continuar ativo, tanto física como mentalmente, para o que virá, incluindo o que será preciso construir e reconstruir para que a “esperança de um novo amanhã” anunciada por Iranildes Bufalo se concretize.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br