
A pandemia causada pela COVID-19 vem causando uma transformação na vida de todos, mas há situações em que o risco de enfermidade e morte é maior. Uma delas ocorre com o grupo Yanomami, que ocupa uma área de 9,6 milhões de hectares e conta com cerca de 27 mil indígenas espalhados em 330 comunidades nos estados do Amazonas e Roraima.
A obra de NeoBrasil, assinatura de Nilcéia Ludkiewicz, nascida em Ponta Grossa, PR, mas radicada em São Paulo, SP, intitulada “Yanomami”, trabalha com costura em retalhos para mostrar como as queimadas, a contaminação da água pelo garimpo e o desmatamento vem contribuindo para a que essa população encontre muitas dificuldades de sobrevivência.
A situação se agrava com a pandemia. A imagem do coronavírus junto ao indígena expressa o risco de uma população com taxa de letalidade duas vezes maior do que as não indígenas. A vulnerabilidade está ligada à precária infraestrutura de saúde local, ao fato de eles habitarem em moradias coletivas e a terem histórico de morbidade alta por infecções respiratórias.
Há ainda mais variáveis, como a prática cultural de uso comum de utensílios pessoais, a dificuldade de acesso a sabão e álcool em gel, além da tradição de realizar os rituais funerários em seu território, o que leva a uma resistência a sair da aldeia para receber tratamento médico. Nesse contexto, a obra de NeoBrasil é uma denúncia à qual é preciso estar atento.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br