
Há imagens em que a visão geral causa um forte impacto logo à primeira vista. Existem outras em que o fascínio está nos detalhes, ou seja, os olhos percorrem as diversas áreas para encontrar segredos escondidos por todo lado. Também temos os trabalhos visuais em que essa dinâmica é dupla, ou seja, temos um encanto visual do conjunto e dos pormenores.
Não existe um grau de qualidade entre esses procedimentos. São distintas maneiras de o artista se relacionar com o espaço. Dulcinéa Aparecida Rocha (Néia), na obra “Esperança!”, lida com as duas dimensões. Em um momento inicial, a comunicação se dá pelo todo ao focar o ambiente hospitalar como um local de busca de tratamento e cura.
Logo em seguida, o mergulho se dá nos diversos elemento isolados, que apresentam aspectos variados da pandemia, como uma pessoa ligada a um aparelho ou uma funcionária paramentada limpando o chão. O próprio nome do quadro auxilia a ver a obra, que retrata uma UTI, não como um local em que se evita a morte, mas como onde vidas podem ser salvas.
A obra de Néia enfoca um assunto que pode parecer desagradável em uma leitura inicial, mas que deve ser visto como homenagem aos profissionais de saúde em sua jornada por atender e recuperar pacientes. Como mostra o quadro, embora a ciência ainda não tenha ainda encontrado a vacina, já conta com aqueles que dedicam a sua vida para nos ajudar.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br