
Uma das grandes questões que surgiu com o combate ao novo coronavírus está nas diferenças sociais. Infelizmente, elas já se faziam presentes no Brasil antes da pandemia, e a crise instaurada com a COVID-19 evidenciou abismos que muitas vezes eram ignorados, escondidos ou maquiados.
Quando se pensa na saúde especificamente, podemos ter três situações básicas: conceber o corpo saudável e entender como ele deve funcionar dessa maneira; estudar as doenças e buscar compreender o que elas são e como afetam cada pessoa; e se debruçar sobre como é diferente ter o mesmo mal em situações socioeconômicas distintas.
Ter COVID-19 em uma região nobre é bem diferente de sofrer da mesma doença em uma comunidade de uma metrópole. O raciocínio também vale para o distanciamento social, que se apresenta de maneiras muito diferentes de acordo com o local em que cada pessoa habita, já que, nas periferias, o número de habitantes por casa é maior em um espaço menor.
“Os Excluídos”, maquete de Santiago Ribeiro, levanta essas indagações. Pleno de detalhes, realizado com amplo requinte e cuidado, o trabalho mostra o aglomerado das residências e as escadas estreitinhas. Não há pessoas, já que elas ficaram dentro de casa durante o isolamento social, mas a miséria e infinitas questões de saúde pública permanecem escancaradas.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br