
Diversas facetas do mundo abalado pela pandemia causada pela COVID-19 podem ser vistas na obra “Dias Difíceis”, de Isa Baah, de Ribeirão Pires, SP. Um dos principais aspectos da imagem é a maneira como ela consegue articular elementos que envolvem planos distintos, que vão da vida à morte, envolvendo a doença.
Na parte superior, temos justamente silhuetas de pessoas flutuando – e são de várias características, desde seres solitários a casais ou um adulto levando uma criança pela mão –, aludindo ao fato de o novo coronavírus vitimar todo tipo de pessoa, indistintamente. Essas pessoas pairam entre os prédios e o céu, partindo para outra dimensão.
Logo abaixo dos edifícios, temos as tendas dos hospitais de campanha, erguidos em várias cidades do Brasil para evitar a superlotação e o colapso dos sistemas públicos de saúde. Mais ao centro, uma pessoa sai de cadeira de rodas, aplaudido e com a plaquinha indicando “Eu venci”.
Mais à direita, porém, em um corredor menor, é possível ver corpos sendo levados sobre macas. A atmosfera das pessoas que saem do espaço médico sob aplausos em uma alameda ladeada de gramado e flores contrasta com aquelas que perdem a vida devido à pandemia e que vão para outro plano. Que o número de recuperados prevaleça sempre!
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br