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Arte em tempo de coronavírus (401)

Arte em tempo de coronavírus (401)
28/06/2020

De onde surge, afinal, a arte? A pergunta não é simples e permite infinitas respostas. Uma delas, porém, pode nos ajudar a penetrar nas criações visuais do artista cubano Ramón Caballero. Vendo seu trabalho “Utopia” surge a convicção de que a sua produção artística provém da relação que tem com o mundo, com ou sem a pandemia causada pela COVID-19.

Se pensarmos que qualquer artista está inserido em alguma realidade, podemos deduzir que, perante o que vivencia, tem três caminhos possíveis: reproduzir aquilo que vê (realismo); imaginar algo pior (distopia) ou criar algo melhor (utopia). Nesta última vertente, situa-se, por exemplo, o amor e o respeito à natureza.

 As obras do artista lidam com esse sentimento afetivo em relação à vegetação, abelhas, peixes, árvores, pessoas (retratadas na forma de máscaras), céu e mar. A destruição desses elementos levaria a uma reação do ambiente. Talvez a invasão dos seres humanos para levar morcegos para mercados populares, hábito comum no oriente, se encaixe nessa vertente.

Destaca-se a árvore, eixo que alimenta a vida com suas raízes poderosas, tronco vigorosos e folhas verdejantes. Dentro dela, temos uma igreja, onde aparecem as representações que o pintor dá aos seres humanos. Surge assim a sua utopia, um não-lugar por definição, mas melhor que este que nos cabe viver hoje com a ameaça do novo coronavírus.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br