
“Essa noite eu tive um sonho/de sonhador/Maluco que sou, eu sonhei/Com o dia em que a Terra parou/com o dia em que a Terra parou/Foi assim/No dia em que todas as pessoas/
Do planeta inteiro/Resolveram que ninguém ia sair de casa/Como que se fosse combinado em todo o planeta/Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém ninguém”.
Os versos acima são da música "O Dia em que a Terra Parou", de Raul Seixas e Cláudio Roberto, lançada no álbum do mesmo nome de 1977. A canção, baseada em um sonho que Raul teve, começou a ser muito relembrada com o isolamento social motivado pela pandemia causada pela COVId-19.
No trabalho de Lucas Cruz, 14 anos, neto da artista Rosangela Politano, de Socorro, SP, o célebre cantor e compositor aparece em um disco voador sobre o planeta Terra. O que mais chama a tenção, porém, é que a obra está pintada como se estivesse em uma telinha de celular na vertical, com a flechinha de Play pronta a ser tocada.
Vale também lembrar que a célebre canção "Maluco Beleza" faz parte do mesmo álbum. O mais fascinante é como uma música feita há mais de 40 anos volta a ser uma referência, dentro de um novo contexto, mantendo o poder de apaixonar um adolescente. Isso é o que a arte tem de melhor: a capacidade de superar o tempo, alongando-o ou fazendo-o parar.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br