
Um dos maiores desafios para qualquer artista plástico está em saber lidar com os recursos visuais que tem à disposição. No caso de Fernando Bororó, ao tratar da pandemia causada pela COVID-19, vai resolver esteticamente uma questão: como dar personalidade às pessoas cobertas com a máscara.
A sua imagem apresenta na parte superior os ameaçadores coronavírus, com seu poder de gerar enfermidade e morte. Logo abaixo vem um grupo de pessoas com o rosto coberto com máscara, como recomendam os profissionais de saúde, já que essa é considerada uma das formas mais eficientes de combater a contaminação.
As máscaras têm formatos e cores distintas, mas cada integrante do grupo representado precisava ter individualidade. Para isso, a solução encontrada foi trabalhar com três elementos: a maneira de representar os cabelos, a expressividade dada aos olhos e as formas de trabalhar os traços responsáveis pelo nariz e sobrancelhas.
Fernando Bororó se sai muito bem na empreitada, com um resultado que mostra a coletividade protegida, mas aglomerada, irmanada na busca por aquilo que há de mais precioso: a liberdade. Acreditar na capacidade da ciência de encontrar uma vacina e manter a fé para não perder a esperança são as forças a impulsionar a humanidade para o futuro.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br