
O artista Macauba coloca o célebre São Jorge cravando uma lança, que tem uma cruz em uma de sus pontas, em um coronavírus. A imagem se vale de diversos símbolos muito presentes na iconografia de um santo de nascimento incerto, mas cuja morte, provavelmente ocorrida em 3030, é lembrada dia 23 de abril.
A tradição conta que Jorge teria sido um soldado romano do exército do imperador Diocleciano e, por ter se mantido fiel ao cristianismo, teria sido martirizado e degolado. A capa vermelha presente na pintura indica justamente o sangue derramado em nome da fé. Já o cavalo branco está ligado à pureza e à santidade necessárias para vencer o demônio.
São Jorge enfrenta seus adversários com a lança, que representa a força da palavra de Deus; a armadura, que simboliza a justiça divina; e o capacete, a convicção da salvação eterna. Todos esses elementos se conjugam na imagem do guerreiro pronto a travar uma batalha espiritual contra o mal, seja um dragão, como contam diversas narrativas, ou atualmente, o coronavírus.
Se o dragão que devorava donzelas simboliza a força maligna que mata inocentes e causa destruição, São Jorge traz a Fé que tudo pode para derrotar seus adversários. Sua vitória, na leitura de Macauba, indica como ele é capaz de, em nome da Fé, derrotar diversas facetas da morte e do medo. Que suas armas e símbolos protejam a humanidade!
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br