
Artista colombiano radicado em Nova York, EUA, Alejandro Pinzón, em “Helados de Pandemia”, oferece uma visão dos males disseminados pelo novo coronavírus de uma maneira surpreendente. Um fator essencial está na intensidade da cor, que parece remeter a uma atmosfera de alegria.
Mas há alguns detalhes que transportam o observador atento do trabalho para uma outra dimensão. A obra se realiza plenamente na maneira como as sutilezas são apresentadas. Logo abaixo do capô do food truck que vende sorvetes, por exemplo, está escrito “COVID-19”. Isso começa a explicar a ausência de pessoas na imagem.
Além disso, no canto esquerdo, temos a presença de um cavalete de pintura onde está uma caveira e, no chão, há tubos de tinta abandonados das cores vermelha, azul e amarela, formando um triângulo de cores, além de uma paleta de pintor e um pincel. E onde está o artista? Pode estar contaminado ou, tomara, em casa.
A pintura na frente da van (“The Real Deal”) remete ainda ao “New Deal”, nome que identifica os programas implementados nos EUA, entre 1933 e 1937, pelo presidente Roosevelt, para recuperar a economia após a Grande Depressão de 1929. Enquanto algo naquelas dimensões não ocorre, a van da COVID-19 parece ter congelado o tempo e a economia, mas não a arte.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br