
Com “Desmoronamentos”, Ninossauro Almenna, de Salvador, BA, a arte atinge um questionador patamar da realidade circundante. As criações visuais, nesse sentido, ampliam a sua possibilidade de penetração social quando se conectam com o mundo, principalmente em momentos de crise, como o atual.
O novo coronavírus, causador da COVID-19, gerou uma pandemia que traz efeitos devastadores não sobre a saúde individual e pública, mas também sobre a economia e sobre o estado mental das pessoas. Se situações diferentes do esperado já geram estragos, o que dizer de uma quarentena que se estende por mais de três meses?
Existe uma fragmentação de sonhos e de expectativas, além da quebra de certezas. A imagem de Ninossauro lida com a disposição desses fragmentos de desajustes e de desmontes. As imagens de seres humanos em várias escalas parecem apontar justamente para a complexidade do diálogo entre cada indivíduo consigo mesmo e com o todo.
Passado, presente e futuro estão expostos em uma ordem visual que expressa as incertezas de um mundo desconjuntado. Olhares dispersos e formas disseminadas pelo espaço apresentam uma desintegração individual e coletiva que pode apontar para um refazer futuro em uma nova direção. Que os nossos desmoronamentos sirvam pelo menos para isso.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br