
As esculturas de Samuel da Silva Junior têm dois aspectos que se complementam.
De um lado, existe a plasticidade do trabalho na maneira como o artista lida com o espaço e as formas; de outro, há um pensamento filosófico sobre o que é apresentado, expressando a relação entre criador, a obra e o mundo.
“Sombras” traz essa reflexão. Propõe questionamentos sobre algo que nos acompanha sempre que existe luz: a sombra.
Ela é entendida no sentido simbólico, como as dificuldades de toda ordem que estão grudadas em nossa existência.
Cada pessoa só enxerga a própria sombra quando está exposta a uma luz, ou seja, atenta ao aprendizado do que é de verdade.
Quando está dispersa ou na escuridão, não enxerga a sua sombra e, quanto mais intensa a luz, ou seja, o entendimento, mais as sombras tendem a desaparecer.
Cada um, portanto, deve observar constantemente a si mesmo, o que envolve aprendizado e dificuldades.
As obras de Samuel, portanto, lidam com os problemas que nos acompanham e com os quais temos dificuldades de conviver.
As suas esculturas apresentam o desafio de lidar com as memórias do passado, com a jornada no presente e com a responsabilidade de tomar decisões, pois cada uma delas impacta o que cada um foi, é e será.
Manter uma boa relação com a própria sombra não é uma tarefa fácil.
Constitui um dilema permanente.
As criações de Samuel da Silva Junior alertam que saber dialogar com elas, em suas diferentes facetas, é uma maneira de ter uma vida melhor hoje para poder se sentir mais livre para determinar os futuros passos.
Oscar D’Ambrosio