
Um dos maiores fascínios da escultura está na possibilidade de ela ser vista em 360º. Quando entendemos uma construção visual em sua plenitude tridimensional, percebemos como se trata de um ofício difícil que deve ser muito valorizado pelas complexidades intrínsecas de lidar com o espaço.
Ao realizar a escultura em madeira “Pandemia”, Cesar Augusto Guimarães Pereira trabalha justamente com um dos materiais mais nobres que existe, pois cada pedaço possui uma vida própria, que inclui a história dos ambientes por onde esteve e quem a conheceu. Não é, portanto, uma mera matéria-prima, mas um ser vivo a desvendar.
Nascido em São Bento do Sul, SC, e radicado em Santos, SP, o artista trabalha dois elementos com intensidade. Um deles são os pés, que apresentam os aspectos de garras presas à Mãe Terra. O outro, muito simbólico, é o rosto, que funciona como uma máscara que deixa dúvidas sobre a direção correta para se olhar o corpo.
Sem dúvida, esse mesmo sentimento é o que nos cerca com a pandemia. Infelizmente o desconhecimento ainda é grande e, apesar dos esforços da ciência, ainda não há remédios ou vacina. Isso faz com que cada um de nós se sinta como a figura retratada, sem saber exatamente quem somos e o que poderemos ser para enfrentar a pandemia que nos cerca
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br