









Visões da mulher
Como a mulher é tratada ao longo da história da arte? A pergunta é diversas vezes feita como se fosse possível encontrar uma resposta simples e única. A questão felizmente é muito mais complicada, pois o sexo feminino é tratado de diversas formas por artistas homens e por criadoras mulheres.
É possível, porém, refletir um pouquinho sobre o assunto. Um primeiro ponto é que a mulher é vista por alguns como o ser humano romântico e frágil, dentro de uma perspectiva que a coloca como um mero objeto passivo de desejo. Um segundo, que vem crescendo, é a interpretação da mulher como um ser empoderado, pronto para tudo no futuro.
Mas um terceiro elemento é ainda mais brilhante, em termos de produção artística. Trata-se do desafio de tratar a temática da mulher de maneira criativa, surpreendente, que faça refletir. Um quarto ponto é apresentar a mulher de uma forma vitimizada perante a sociedade machista. E, é claro, existe a possibilidade de tratar a mulher como deusa-mãe ou deusa-Terra.
Qual seria, porém, a grande representação da mulher? A “Mona Lisa”, do início do século XVI, de Leonardo Da Vinci, é uma referência. Há nela uma misteriosa sensualidade, uma altivez indagadora, uma técnica inovadora para a época (“sfumato”), um ar de donzela fragilizada e uma potencial maternidade à italiana.
Pouco? Claro que não, mas há um algo a mais inexplicável que a torna a obra mais célebre de todos os tempos. Vamos! Crie a sua mulher, sempre tendo em vista que a arte, ao interpretar o mundo, nos faz entender melhor o que somos, por que estamos nesta jornada existencial e para onde queremos caminhar.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br