
“Quarentena e desigualdade”, obra com tinta acrílica sobre cartão de Joana Puglia, de Venâncio Aires, RS, realiza uma interpretação visual da situação social do Brasil perante a pandemia causada pela COVID-19 que muitos gostariam de não ver, pois as diferenças sociais se tornam evidentes e tendem a se ampliar.
Co cores fortes e usando as janelas como maneira de pintar cenas do cotidiano, que incluem abraços apaixonados ou pessoas dançando, surgem dois mundos bem distintos. Do lado direito, temos a classe mais privilegiada, com uma senhora tomando sol, a empregada negra varrendo a casa um idoso em um ambiente amplo com seu bicho de estimação.
Ao centro, profissionais de saúde devidamente paramentados levam um enfermo em uma ambulância para desespero da família. Diversos outros fragmentos revelam um painel pouco animador e muito real que inclui o consumo de bebida alcoólica e a violência doméstica contra mulheres e crianças.
Nesse quadro social, em que surge até o carteiro observado por um cão, com a dona de casa com receio de pegar a correspondência, a presença das lágrimas é uma marca recorrente no quadro. Perante a ausência de remédio ou de vacina, os casos se alastrando e as medidas de relaxamento da quarentena se ampliando, a dor e o sofrimento vêm crescendo. Até quando?
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br