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Arte em tempo de coronavírus (368)

Arte em tempo de coronavírus (368)
20/06/2020

Arte em tempo de coronavírus (368)

Qual é a maior maravilha da arte? As respostas podem ser muitas, mas a mais fascinante é que ela permite as mais variadas interpretações. Perante um trabalho escrito, visual ou musical, cada pessoa terá a sua própria leitura – e a somatória delas é que enriquece o trabalho como um todo.

Trata-se, portanto, de um universo de encantamento permanente, caracterizado pelo diálogo entre três elementos principais. Temos aquilo que o artista concebe de acordo com as suas intenções, declaradas ou não; aquilo que ele de fato realiza, devido aos seus conhecimentos técnico e aos materiais utilizados, e o que cada observador sente, percebe e interpreta.

Obras como “O Hospedeiro”, de Bruno Gobi, de Jundiaí, SP, permitem essas leituras. Realizada com grafite e nanquim sobre papel colorido digitalmente, mostra um personagem que utiliza a máscara equivocadamente tossindo e provavelmente contaminando o seu rebanho, representado por todas as reses em preto perante um fundo amarelo.

O vermelho da parte superior estabelece dramaticidade. O conjunto de animais remete às clássicas cenas do drama musical britânico The Wall, de 1982, dirigido por Alan Parker, baseado no álbum homônimo da banda Pink Floyd, em que há uma crítica ao autoritarismo de um sistema que iguala e robotiza as pessoas. Que o futuro nos reserve um mundo melhor!

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br