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Arte em tempo de coronavírus (357)

Arte em tempo de coronavírus (357)
19/06/2020

O novo coronavírus se tornou onipresente. Vieram com ele a COVID-19, a pandemia e o isolamento social, assim como o uso de máscaras para evitar o contágio. Progressivamente, fala-se agora na flexibilização das medidas de confinamento e na instituição de um novo normal, com múltiplas características e restrições.

O fato é que o microrganismo se tornou um divisor de águas deste começo de século XXI. “O extermínio”, de Vânia Farah, do Rio de Janeiro, RJ, apresenta esse papel histórico de uma maneira plasticamente densa. Ao centro, ele surge em toda a sua potência, mas dele brotam diversos tipos de raios, que dividem a área da obra em setores.

Na parte superior, há uma paleta de cores que parece anunciar a possibilidade de um novo amanhã, talvez melhor do que se vivia no período pré-pandemia. De fato, há toda uma linha de raciocínio e de sentimento que vê a atual situação mundial como um momento de virada para a construção de uma sociedade mais consciente e com maior integração entre as pessoas.

A destruição causada pelo coronavírus mergulhou o mundo em crise econômica, ampliando abismos sociais. É nessa ambiguidade que a humanidade caminha. De um lado, há restrições de várias ordens; do outro, o eterno potencial humano de se regenerar e colocar novamente cores no mundo, como faz a obra de Vânia Farah.

 

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br