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O Falso Espelho

O Falso Espelho
18/06/2020

“O Falso Espelho” (1928), do pintor belga René Magritte, é um exercício do olhar. Geralmente, nós olhamos para um quadro, mas aqui é ele que nos contempla. No centro dele, a pupila funciona como um buraco negro. Queremos descobrir o que há ali, mas também é um ponto escuro, perdido, desconhecido – e desperta o medo, pois podemos nos perder na jornada.

A imensidão do céu é outro elemento ambíguo. É encantadora pela sua beleza, mas sua vastidão nos impressiona e pode gerar receios. A obra, portanto, nos estimula a uma reconfiguração de nosso olhar – o que é um convite para repensar as amaneiras como olhamos para os mundos interno e externo.

A metáfora do olho traz ainda diversas alusões simbólicas. Pode-se pensar nele como espelho d’alma, mas também como o local que nos permite observar o mundo friamente pelo viés da razão. De dentro para fora, o olho pode chorar. De fora para dentro, é um canal de observação. Não há, nas duas direções certo ou errado, mas enorme complexidade.

O olho que Magritte nos apresenta, claro, não é mesmo um olho, mas a representação visual dele. Vemos nela aquilo que nossa percepção alcança, seja enquanto imagem propriamente dota, com sua composição, tonalidades e formas, seja enquanto o que desejaríamos ali ver. Podemos assim imaginar um mundo tenebroso ou prazeroso. Faça a sua escolha!

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br