







Tito Lobo, de João Pessoa, PB, apresenta um trabalho visual caracterizado pela mescla de raízes populares. Suas cores intensas trazem uma riqueza de elementos simbólicos em que se fazem presentes tradições miscigenadas, que englobam a sabedoria indígena, o catolicismo de origem europeia e a cultura afro-brasileira.
A cor é une os diversos elementos. Com o novo coronavírus, a COVID-19 e a pandemia, a máscara se faz onipresente, mas não da maneira tradicional, branca, como surge no mundo médico, mas caracterizada por composições em que há, além de diversas tonalidades, uma integração dela com o restante da obra.
Elementos religiosos, como a cruz, estão colocados ao lado de símbolos vinculados ao folclore nordestino, como cobras, estrelas, coração e flores. A presença de pássaros também colabora para que os trabalhos apresentem um forte vínculo com a natureza, o que lhes dá uma forte carga de re-ligação com o mundo, dentro dos mitos de criação dos indígenas brasileiros.
Existe no trabalho de Tito Lobo uma densa presença da ancestralidade. Suas figuras masculinas e femininas funcionam como deuses e deusas a nos contemplar com carinho de modo que possamos conversar com outras dimensões do universo sem medo ou culpa, pois eles e elas estariam perto de nós, justamente a nos cuidar neste momento em que precisamos tanto.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br