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Arte em tempo de coronavírus (344)

Arte em tempo de coronavírus (344)
16/06/2020

O desenho sobre papel da série Quarentena, de Ruana Negri, aponta para a riqueza da exploração dos elementos visuais de modo que ganhem novas significações. Dois elementos se destacam no conjunto da obra. Ambos são tradicionais símbolos de passagem de um ambiente para outro, e do mundo privado para o público e vice-versa.

Refiro-me às portas e janelas. Estas últimas passaram a ser uma espécie de metáfora do novo coronavírus, da COVID-19 e da pandemia pela sua relação direta com o isolamento social. Por meio delas, os elos com a chamada realidade foram estabelecidos – e cada um precisou manter a sua sanidade mental – além de física – em dia para se adaptar.

Os raios do sol e a natureza aparecem como respiros agradáveis em meio a uma atmosfera de confinamento. Elementos reconhecíveis, como um cãozinho, convivem com outras imagens dispersas, mas todas se conectam transmitindo um estado de espírito de um ambiente que pode ser, para alguns, fechado, mas pleno de potencialidades para a imaginação.

A artista estabelece uma realidade própria e peculiar por meio de seu desenho, dentro de um dos princípios mais belos da arte, que é a capacidade de um criador visual instaurar a sua realidade, valendo-se da sua sensibilidade e de seu poder de observar e ressignificar o cotidiano, tornando público o gabinete de guardados privado de sua mente.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br