
Uma das maneiras mais sábias e divertidas de mergulhar nas artes visuais é observar a natureza – mas fazer isso de verdade não é tarefa fácil. Não se trata apenas do exercício de copiar o que se vê, mas de treinar a si mesmo para buscar uma compreensão visual daquilo com o qual se está lidando.
A jovem Joana Viana, por exemplo, realizou uma árvore. O trabalho é uma somatória das árvores que ela viu com aquelas que ela imagina. E o resultado tende a ser mais significativo quanto mais ela olhar, de fato, as árvores; e quanto mais ela olhar os trabalhos pintados, desenhados e esculpidos sobre o tema. Dessa maneira, o seu repertório de árvores vai crescer.
E, assim, sem perceber, brincando, as árvores que ela fará vão se tornando outra coisa. Serão talvez árvores para quem as vê, mas, para quem as faz se tornam uma festa de linhas, cores, enfim, escolhas de elementos visuais, entre outros fatores. Progressivamente, a maturidade estética proporciona o entendimento de que cada trabalho é o estudo de um novo desafio.
Às vezes, o desejo é de lidar as tonalidades; outras vezes, com as formas. Não há certo ou erado nesse processo. Existe um compromisso consigo mesmo. A criação será mais genuína enquanto surgir do desejo interno de a fazer. Assim, cada novo trabalho será uma conversa plástica com o mundo a progressivamente encantar a todos.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br