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Rossanna Jardim Máquinas de escrever: renovação do passado

A máquina de escrever, um dos objetos mais emblemáticos do jornalismo e da publicidade, já se tornou peça de museu. Existe, porém, em sua história, um pouco da narrativa dos milhares de redatores que bateram naquelas teclas para produzis os mais variados textos.
            Essa poética é recuperada na pintura da artista goiana Rossanna Jardim. Seu poder de observação a levou a encontrar nessas máquinas um alimento visual,  levado adiante pela habilidade em focar detalhes e gerar cores, principalmente ocres e verdes, que colocam a realidade visível numa nova dimensão.
            Na ótica de Rossanna, a máquina deixa de ser um instrumento mecânico com teclas que, ao serem premidas, causam a impressão de caracteres no papel, para ganhar uma dimensão plástica, no qual a artista valoriza as linhas retas e as letras, valendo-se da gradação de cores.
            O computador, com seus processadores de texto, que possibilitam efetuar o mesmo trabalho de modo mais eficiente e rápido, ocuparam, no fim do século XX, o lugar das máquinas de escrever, que foram progressivamente integrando coleções nacionais e internacionais.
            A pintura de Rossanna Jardim restaura o status dessas máquinas. De utilitárias, tornam-se obras de arte. Os recortes visuais, geralmente fotográficos, realizados pela artista, fazem com que muitas vezes percamos a referência concreta. Ao olhar atentamente, porém, a recuperarmos, indo para uma outra dimensão.
Mergulha-se no campo da memória e da lembrança das milhões de letras tecladas, das frases inventadas e dos textos que saíram em laudas marcadas pela força dos tipos impressos no papel. Afinal, como esquecer o ruído do teclado e o ritual das laudas amassadas e dos rascunhos corrigidos manualmente. 
As pinturas valorizam essas máquinas como objetos de desejo, reinventando-as como universo plástico, plenos de talento e portadoras de lembranças graças a uma pintora que valoriza e renova o passado, trazendo-o à tona como a expressão de uma época mais romântica por meio de um pensamento visual conscientemente elaborado.