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Arte em tempo de coronavírus (343)

Arte em tempo de coronavírus (343)
15/06/2020

Poderia ser o planeta Terra coberto por uma capa, uma aura divina que o protegesse do novo coronavírus? Olhando para a obra de Edna Alves tudo isso se torna possível. A artista tem a capacidade de nos conduzir a um universo no qual, sob a regência das cores, a fé e a fantasia se misturam de maneira comovente, com liberdade poética e lirismo.  

Sobre o mundo, uma pomba branca, símbolo ligado ao Espirito Santo, lança sua luz dourada, impedindo a invasão dos perigosos microrganismos que avançam pelo espaço. Sob essa intensa proteção, o planeta poderia prosseguir a sua jornada existencial, que vem sendo interrompida no momento. E não sabemos exatamente até quando.

Ao redor dessa imagem central, que alegoriza, de certa forma, o bem da pomba (presente, por exemplo quando ela traz o galho que avisa Noé que há terra próxima ou ainda que abençoa Jesus quando é batizado) contra o mal do vírus, aparecem diversos ícones que estão conectados com a temática da obra.

A joaninha, símbolo da felicidade e da cura, porque se alimenta justamente de pragas como pulgas e pulgões; os frascos de álcool em gel e as máscaras de proteção surgem na obra a complementar uma visão da realidade em que a fé e a ciência caminham juntas para vencer uma pandemia da qual cada um de nós, por mais protegido que esteja, sairá diferente.  

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br