
Arte em tempo de coronavírus (340)
Baiana de Itapetinga, radicada em Itapecerica da Serra, SP, Edna Alves trata o tema da Pandemia causada pela COVID-19 de maneira surpreendente em alguns aspectos. O observador pode ficar tão positivamente impactado com o conjunto da obra, que deixa de lado alguns detalhes que enriquecem a leitura do trabalho.
Ao redor da imagem central, por exemplo, além de galhos e flores, temos quatro joaninhas. Por elas se alimentarem de parasitas, são tradicionais símbolos da saúde, da boa sorte, da felicidade, do equilíbrio e da harmonia, sendo consideradas divinas mensageiras de renovação e transformação, termos muito necessários na atual conjuntura.
Perante um fundo azul, coronavírus em verde são eclipsados visualmente pela onipotente presença de um anjo protetor, que cobre, com seu manto protetor e sus asas, uma residência em que um terço pendurado no teto reforça o conceito de proteção contra a doença. As tonalidades azuladas do manto e do interior da casa conversam acentuando essa integração.
A obra tem o grande encantamento de apontar para a importância da fé em todo esse processo de enfrentamento de uma doença que, em seu processo de contágio pelo planeta, trouxe, além enfermos e mortes, consequências em diversas áreas, como a econômica e a psicológica. Que o grande anjo do quadro de Edna Alves nos ajude a superar este momento.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br