
Perante uma determinada realidade que conhece, o artista apresenta três caminhos possíveis, com suas variações intermediárias. Ele pode criar uma distopia, ou seja, um universo paralelo pior que o que lhe é apresentado, buscar reproduzir fotograficamente esse real, aproximando-se dele, ou erguer, com sua técnica, uma utopia, ou seja um lugar ideal melhor.
Nascida em Santa Maria, RS, e radicada em Brasília, DF, Liselena Dalla Corte, na obra “A gente é feliz”, realizada com tinta acrílica sobre tela, nos oferece a sua visão de mundo, em que a ideia de estabelecer um local agradável é a mais importante. Nesse sentido, tonalidades de sugerem a existência de três sutis faixas a orientar a visão do observador.
Logo abaixo da primeira delas, temos uma cadeia de relevo; direcionando o olhar, ao centro, a presença de árvores; e na parte inferior, a sustentação visual de uma paisagem que se apresenta justamente como um local agradável em que vale a pena viver, com a presença da natureza e das montanhas emoldurando o cenário.
Uma das maravilhas da criação visual reside justamente no magnífico poder de levar quem vê um quadro outras dimensões. Nesse aspecto, a arte tem a capacidade de abrir sucessivos portais de interpretação. Cada um mergulha como e onde acha melhor, de acordo com a sua capacidade e desejo. Em tempo de coronavírus, trata-se de uma alternativa para viver melhor.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br