
A administração do espaço é um dos maiores desafios da pintura. Perante uma tela em branco, muitos são os caminhos – e cada criador visual vai encontrando os seus. O desafio permanente é o de colocar em imagens aquilo que muitas vezes se pensa, se escreve, se imagina ou que simplesmente nem se sabia que existia dentro de si mesmo.
A resposta visual que Terezinha Sordi dá ao universo do novo coronavírus, da COVID-19, da pandemia e do isolamento social passa por muitos caminhos e entrelaçamentos. A divisão do espaço pictórico em áreas contribui para o estabelecimento de uma peculiar narrativa pessoal, caracterizada pela fusão de diversos elementos poéticos.
Chama a atenção a presença dos profissionais de saúde, com diversas cores de aventais, em uma homenagem àqueles que, na linha de frente ou nos bastidores, vêm trabalhando para minorar a gravidade do problema. As cruzes que indicam a morte também estão presentes, indicando que a guerra infelizmente nem sempre é ganha.
Elementos da natureza, tanto animais como flores e vegetação, também surgem em destaque. São elementos de esperança a anunciar, assim como na Arca de Noé, um período de reconstrução após uma imensa crise. Que médicos e enfermeiros, entre outros trabalhadores essenciais, encontrem, enquanto o novo mundo não vem, forças para seguir a sua jornada.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br