






O novo coronavírus trouxe alterações na vida das pessoas, entendam-se elas artistas ou não, que estão além das manifestações visuais. Um exemplo disso é Marcela Meirelles, natural de Bagé, RS. Residia no Rio de Janeiro, RJ, e, com a pandemia, retornou para a cidade em que nasceu – e a sua produção, claro, reflete todos esses movimentos internos e externos.
Existem no seu trabalho personagens que parecem interrogar a si mesmos e ao mundo. Estejam com os olhos mais abertos ou fechados parecem se indagar e nos questionar sobre nossos percursos vivenciais. Os entornos funcionam como cenários metafísicos. Um exemplo é a imagem de um desses seres navegando sobre um barquinho de papel.
Fica evidenciado que são seres que brotam do imaginário. Não mimetizam aquilo que conhecemos e nos introduzem numa esfera em que tudo é permitido e em que o maior desafio está em buscar entender se se movem por desejo próprio, por motivações internas, ou se a forças que os movem são externas e vem de um inominável e inexplicável além.
Talvez um dos maiores desafios da pandemia, que levou as pessoas a conviverem muito mais consigo mesmas e com a que ocupam a mesma casa, esteja justamente em se revisitar para ver o que o futuro traz para cada um. O exercício não é simples, e a arte de Marcela Meirelles nos ajuda a encontrar um poético caminho.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br