
Tâmara Batista, de Timbaúba dos Batistas, RN, apresenta, em “Apocovid”, obra realizada com lápis de pintar sobre papel canson, uma representação poderosa sobre o atual momento que enfrentamos perante a pandemia, ligada à peste anunciada pelo Apocalipse bíblico. A dor das pessoas afetadas pela doença é onipresente.
Os cabelos espetados e as marcas de expressão na testa auxiliam a compor a imagem, que tem nos olhos verdes – na verdade expressões visuais do novo coronavírus – um ponto muito significativo. Cabe lembrar o célebre mito de Pandora em que Zeus entregou a Epimeteu uma bela mulher, Pandora, que portava uma caixinha.
Ao abri-la, os males se espalharam pelo mundo. Na tentativa de fechá-la, restaram apenas para a humanidade dois olhos verdes, que simbolicamente são a esperança. Na imagem de Tâmara Batista, a máscara rasgada pelo grito de desespero do protagonista ilustra uma realidade que não pode ser meramente contabilizada em números divulgados diariamente.
Cada pessoa que é afetada, direta ou indiretamente, está nesse trabalho. Ele é um alerta para uma situação mundial e, especificamente, nacional, em que muito precisa ser feito para que a sociedade, de fato, possa vivenciar o novo normal já anunciado, mas que só existirá de fato quando gritos como os da imagem de Tâmara Batista não mais existam.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br