
Pensar a máscara como um equipamento de segurança que cuida não apenas de quem a usa, mas também de quem está ao redor envolve uma alteração cultural. Esse pensamento, já consolidado em diversos países do Oriente, começa a dar seus primeiros passos no Brasil, infelizmente devido à necessidade de combater a pandemia causada pela COVID-19.
A obra “Proteção”, aquarela sobre papel Fabriano de Carla Schwab, natural de Pelotas, RS, mas radicada em Curitiba, PR, coloca a questão da máscara em uma perspectiva poética, com a delicadeza que caracteriza a artista. Existe um lirismo, muito presente na figura do beija-flor, ave ligada, em várias culturas, à simbologia do renascimento, da delicadeza e da cura.
O pássaro é visto como um mensageiro dos deuses por algumas de suas propriedades físicas. A principal, que o vincula à energia e à alegria, é o fato de precisar bater as asas com muita determinação para conseguir ficar parado no ar, o que acelera seu batimento cardíaco. Os índios hopis, do Arizona, por exemplo, o consideram um herói salvador da humanidade.
De fato, pode-se dizer que o beija-flor combate a fome ajudando na polinização e consequentemente na reprodução das plantas. Ao transportar uma máscara para alguém permite que muitas pessoas se protejam do novo coronavírus. Com extremo lirismo e técnica refinada, Carla Schwab leva assim a sua mensagem de amor ao próximo.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br