
Mineiro de Belo Horizonte, radicado em Santa Luzia, MG, Edson Polidoro Santos, tem a sua história de vida profundamente ligada a capoeira, de onde vem a maneira como assina seus trabalhos, Mestre Edson. Nessa trajetória, naturalmente, o corpo é fundamental, como mostra o trabalho intitulado “A era digital com a quarentena”.
O artista enfatiza na obra a tensão do movimento dos corpos e a relação entre eles, com destaque para a figura feminina com os cabelos entrelaçados em um celular, de onde brotam, em plena cena surrealista, fones de ouvido que parecem ter ganho vida própria, galgando o espaço.
O que há de mais belo na pesquisa visual do criador mineiro é a presença do corpo no centro das atenções, enquanto uma criação divina. Na maioria das mitologias, os seres humanos foram concebidos pelos deuses como representação deles mesmos, o que leva, no Islã, por exemplo, a não permitir a reprodução visual das figuras humanas.
Mestre Santos nos lembra, em plena pandemia, que o corpo é a morada da alma – e deve ser tratado com todo cuidado e gentileza. Zelar por essa casa pode até demandar um desapego da tecnologia, mas, acima de tudo, exige a busca do conhecimento de potencialidades e de superação de limitações, o que vale na capoeira, na arte e, acima de tudo, na vida.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br